SOS Iconoclastas

O Jornal Batista

Reflexão sobre a egolatria contemporânea, usando o movimento iconoclasta como ponto de partida para alertar contra o ego inflado, o narcisismo e a necessidade de destronar o “eu” para que somente Deus seja adorado.

SOS Iconoclastas

A Igreja Oriental, no século VIII, sofreu uma crise com a eclosão do movimento iconoclasta. Um movimento de cunho reformador, dedicado à destruição das imagens.

A mobilização começou no ano 726 d.C., quando o imperador bizantino Leão III declarou oposição à veneração dos objetos artísticos. Em 730, ele transformou esse movimento em lei por meio de um Edito.

As imagens, em grande parte reverenciadas, de certa forma fomentavam um desvio da adoração ao único que é digno, o Deus Criador. Os ícones foram retirados das igrejas e pinturas murais apagadas. Na ocasião, muitas relíquias foram destruídas e muitos dos que reverenciavam imagens foram perseguidos e mortos.

Sem a intenção de fazer apologia à iconoclastia, que inclusive tem suas mazelas, precisamos analisá-la de maneira cuidadosa.

Por um lado, tal combate pode ser visto com intenções nobres de retomar a adoração ao único que deveria ser adorado. Por outro lado, o movimento se apoia em um Concílio considerado acéfalo, isto é, realizado sem a presença de qualquer patriarca, cometendo atrocidades em nome de Deus.

Assim, reitero que não quero fazer defesa do movimento iconoclasta, reconhecendo o extremismo praticado na ocasião. Porém, precisamos atentar para os ídolos erguidos nos nossos dias.

Muitos deles não são de escultura. E ainda há um ídolo, em especial, extremamente estimado, simplesmente adorado: o “ego”.

O ser humano tem se tornado amante de si mesmo. O narcisismo está estampado nas selfies compulsivas sem limites. A egolatria é uma marca contemporânea e precisamos tomar muito cuidado para não estarmos erguendo, centralizando e entronizando nosso ego.

Às vezes, não nos damos conta de que isso está acontecendo conosco. É mais fácil enxergar no outro.

Na segunda carta do apóstolo Paulo a Timóteo, capítulo 3, versos 1 e 2, o apóstolo relembra que o período que antecederia a volta de Cristo seria de crise agonizante, envolvendo um colapso de padrões morais.

Tempos difíceis, penosos e perigosos. E uma das manchas destes dias seria o egoísmo.

A expressão philautos (φίλαυτος), relativa ao amor egoísta, voltado para si mesmo, evidencia o abandono a Deus e a ocupação com o próprio ego.

O ídolo chamado ego está em alta, ovacionado, aclamado e ostentado. Precisamos derribá-lo, queimá-lo.

SOS Iconoclastas!

Que sejam destruídas nossas vontades egoístas, nossos pensamentos presunçosos, nossos ideais vaidosos, nossa imagem jactanciosa, nossos discursos pedantes.

Enfim, seja estilhaçada nossa egolatria. Seja destronado o nosso “eu”.

SOS Iconoclastas!

É verdade que muitos são os desvios doutrinários dos nossos dias. O Evangelho que se propaga é híbrido e sincrético, com mensagens triunfalistas e pragmáticas, no sentido filosófico.

Contudo, podemos estar sendo ortodoxos, refutando tais formas de propagar o Evangelho, e ainda assim estarmos com o ego inflado, cheios de si, prostrados na egolatria.

Precisamos instaurar uma reforma internamente antes de instalar externamente.

Derribar, destruir e queimar o ídolo chamado ego dá trabalho. Afinal, ele nos eleva, nos coloca no centro, e elogios não nos faltam. Tudo isso é envaidecedor, um combustível que abastece nossa humanidade caída, colocando-nos em páreo com Deus.

Adoração só a Deus!

Reforma já!

SOS Iconoclastas!