Senhor, ajuda-me a ser pelo menos inútil
O Jornal Batista
Reflexão baseada em Lucas 17.10, destacando que o servo de Deus não deve se gloriar por cumprir seu dever, mas reconhecer sua limitação, dependência e necessidade da graça divina.
Num contexto de proliferação de literatura de autoajuda, profissionais motivacionais e autoestima inflada, muitas vezes por embustes, as Escrituras Sagradas nos colocam no nosso devido lugar, escancarando nossa limitação, fraqueza, incapacidade e insuficiência.
Em Gênesis 3.19, temos o espelho que reflete o que de fato somos: pó!
Ler Lucas 17.10 — “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer” — para alguns deve ser uma afronta ao ego fomentado por literatura de autoajuda, por profissionais que lucram afirmando para seus clientes que “querer é poder” e por um politicamente correto que eleva a autoestima maquiando uma realidade insatisfatória, mas que deveria ser encarada.
Em Lucas 17.10, somos confrontados com a afirmação de que, ainda quando cumprimos nosso dever, devemos nos considerar inúteis.
Logicamente, precisamos entender o contexto da fala do Senhor Jesus, analisando a perícope dos versos 7 ao 10 do capítulo 17 do Evangelho de Lucas.
O nosso Mestre Jesus explica que, ao fim do serviço de um dia, o senhor não convida seu escravo a jantar. Ao contrário, chama-o a servi-lo enquanto faz sua refeição.
O senhor também não agradece ao escravo por servi-lo, pois ele apenas faz a sua obrigação, isto é, cumpre o seu dever.
Semelhantemente, nós, servos do Senhor dos senhores, quando cumprimos nossa obrigação, não devemos nos gloriar, porque precisamos encarar a realidade de que somos inúteis.
É bem verdade que o termo inútil, além de significar sem serventia, é relativo a não ter qualidades que mereçam louvor ou recomendação. Este segundo significado é o que melhor expressa o que o Senhor Jesus afirmou em Lucas 17.10.
Nós não merecemos louvor especial por fazer o nosso dever.
Não há mérito para quem cumpre uma obrigação. Agora, imagine a condição de quem não faz o que deve fazer?!
Se não somos dignos de recomendação, se não merecemos louvor especial quando fazemos nossa tarefa, o que dizer quando negligenciamos?
Ah, Senhor! Ajuda-me a pelo menos ser inútil, ou seja, cumprir corretamente o meu dever, e que o ser inútil seja um degrau para um dia ir além de um simples dever cumprido.