Pai cristão: exemplo de consolação, exortação e testemunho
O Jornal Batista
Reflexão baseada em I Tessalonicenses 2.10-12, destacando o papel do pai cristão como alguém que exorta com amor, consola com presença e testemunha a fé por meio de uma vida santa, justa e irrepreensível.
“Tanto vocês como Deus são testemunhas de como nos portamos de maneira santa, justa e irrepreensível entre vocês, os que creem. Pois vocês sabem que tratamos cada um como um pai trata seus filhos, exortando, consolando e dando testemunho, para que vocês vivam de maneira digna de Deus, que os chamou para o seu Reino e glória.” I Tessalonicenses 2.10-12
Nesta passagem, observamos o apóstolo Paulo destacar as atitudes de um pai para com seus filhos. Essas atitudes são semelhantes às de um líder espiritual, pois a figura de um pai deve ser um referencial, tal como Paulo usa como parâmetro para uma liderança.
O texto nos apresenta que um pai cristão exorta seus filhos.
O termo exortar, do grego parakaleó (παρακαλέω), significa advertir, chamar a atenção com encorajamento, aconselhar de forma amável e amigável.
Então, podemos entender que um pai não chama a atenção, nem adverte seus filhos de maneira que os desanime, mas de forma encorajadora.
Lembremos que tão importante quanto falar a verdade é como falar a verdade.
Um pai disciplina encorajando. Ele usa a vara não com raiva, mas com motivações amorosas. Tem firmeza e doçura ao mesmo tempo. A exortação de um pai deve ser sem frouxidão, mas deve envolver afeto e mansidão.
O apóstolo Paulo continua nos ensinando sobre a conduta paternal e, em seguida, diz que um pai cristão consola seus filhos.
A expressão consolo, do grego paramytheomai (παραμυθέομαι), significa fazer com que alguém tenha consolo e conforto em situação de desânimo. Trata-se também de um consolo que vai além de palavras, pois envolve atitudes.
Assim, um pai não apenas enxuga as lágrimas de seus filhos, mas procura saber o porquê do choro. Ele ouve os problemas, os questionamentos e ajuda os filhos a sanarem essas questões.
O consolo de um pai é uma evidência de graça concreta. Ele participa das alegrias e tristezas, das conquistas e perdas.
Por fim, nesta passagem, o apóstolo Paulo afirma que um pai cristão dá testemunho a seus filhos.
A palavra testemunho, traduzida do grego martyromai (μαρτύρομαι), significa testificar, afirmar, ser enfático na manifestação de uma opinião.
Vale ressaltar que o termo testemunho, no idioma grego, pertence à esfera jurídica. Testemunhas, em um julgamento, fornecem indícios e evidências concernentes a eventos passados.
Contudo, para os estoicos, grupo filosófico citado em Atos 17.18, o termo testemunho tem relação com as convicções morais, nas quais suas ideias e doutrinas eram testificadas mediante uma vida adequada, condizente com aquilo que se defendia.
Podemos entender a expressão testemunho nessas duas perspectivas: tanto na perspectiva forense, isto é, quando uma pessoa dá informações do que viu, ouviu e conhece dos fatos; quanto na perspectiva filosófica, de uma vida que reflete uma conduta ética e moral harmonizada com as doutrinas da fé.
O próprio apóstolo Paulo une essas duas linhas conceituais, a forense e a filosófica, quando apresenta o testemunho como uma proclamação do Evangelho a partir do que viu, ouviu, conheceu e experimentou.
Também apresenta o testemunho como um estilo de vida com ênfase nos fundamentos doutrinários do cristianismo, que podem ser comprovados e testificados na maneira santa, justa e irrepreensível de viver.
Assim, entendemos que um pai cristão, que é modelo também para a liderança eclesiástica, deve tratar seus filhos exortando, consolando e dando testemunho, para que eles vivam de maneira digna de Deus.